segunda-feira, 28 de novembro de 2011

01 - ALGUNS PERSONAGENS DA EDUCAÇÃO DOS ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA VISUAL
Professora Silvia Antonia
2011
     Valentin Haüy (1745-1822)
O Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris foi a primeira escola para pessoas com deficiência visual. O instituto foi inaugurado em 1784, por Valentin Haüy.
Valentin Haüy criou um sistema de leitura em alto relevo. Esse sistema utiliza letras com caracteres comuns.
No Século XIX, as escolas da Europa e dos Estados Unidos trabalhavam com a proposta educacional adotada naquela época.

    Louis Braille (1809-1852)
Em 1825 foi apresentado o novo sistema com caracteres em relevo para a escrita e leitura de cegos. Louis Braille foi o responsável pela criação desse sistema.




TERRITÓRIO BRASILEIRO
   José Álvares de Azevedo (1834-1854)
O Brasil teve acesso as novas técnicas e métodos por meio de José Álvares de Azevedo, quando regressou de seus estudos em Paris.
            José Álvares de Azevedo estudou em Paris, no Instituto Real dos Jovens Cegos. Ele foi aluno de Louis Braille. Ao retornar de Paris José Álvares de Azevedo começou a ensinar o Sistema Braille, uma de suas alunas era a filha de um médico do Paço. Adèle Sigaud era filha do Dr. Xavier Sigaud, ela foi apresentada a Dom Pedro II por intermédio de seu pai e do Barão do Bom Retiro. Essa reunião foi realizada com o intuito de criar uma Instituição responsável pela educação das pessoas com deficiência visual.
            O sonho de ter uma instituição para educar pessoas com deficiência visual foi concretizado em 1854, com a criação do Instituto dos Meninos Cegos.

Histórico da educação das pessoas com deficiência visual

   Obra traduzida do Francês para a Língua Portuguesa. O responsável pela tradução foi José Álvares de Azevedo.
     José Francisco Xavier Sigaud. Primeiro diretor do IBC
Foto: Reginaldo Menezes Costa

   Dr. Claudio Luiz da Costa, o segundo. Acervo do Museu do IBC. Foto: Reginaldo Menezes Costa

   Benjamin Constant Botelho de Magalhães
Foi o 3º Diretor do Instituto
Político, militar e professor brasileiro nascido em no Porto do Meyer, freguesia de São Lourenço, Niterói, Estado do Rio de Janeiro, um dos fundadores da república, autor da divisa Ordem e Progresso da bandeira brasileira (1890) e um grande divulgador do positivismo no Brasil. Filho do português Leopoldo Henrique Botelho e da gaúcha Bernardina Joaquina da Silva Guimarães, passou uma parte de sua infância em Macaé, Magé e Petrópolis, onde o pai estabeleceu-se com uma padaria. Ainda criança sua família mudou-se para Minas Gerais, onde seu pai foi administrar uma fazenda do Barão de Lage. Com a morte do pai (1849) sua mãe, não suportando o choque e os sofrimentos subseqüentes, tendo cinco filhos para sustentar e educar, enlouqueceu.
Ainda adolescente suportou estas provações, foi para o Rio de Janeiro e assentou praça no Exército (1852), aperfeiçoando-se em engenharia na Escola Central. Iniciou sua carreira no magistério como explicador de matemática elementar para os alunos da Escola Militar (1854). Foi promovido a Major (1855) e passou a estudar astronomia no Observatório do Rio de Janeiro (1861-1867). Esteve na Guerra do Paraguai de onde foi obrigado a retornou ao Brasil devido a ser atacado pela febre palustre. Ingressou no magistério da Escola Militar do Rio de Janeiro, como professor coadjuvante do curso superior (1872), foi professor de matemática no Imperial Colégio de Pedro II e fundou a Escola Normal Superior (1880), sendo seu professor, e o Clube Militar (1887), do qual foi presidente.
Foi promovido a tenente (1888) e nesse mesmo ano recebeu a patente de Coronel. Presidiu a sessão do Clube Militar (09/11/1889) em que foi decidida a queda da monarquia e garantiu o apoio de Deodoro da Fonseca, militar prestigiado pela crise (1885) e pela vitória do abolicionismo. Proclamada a república, integrou o governo provisório, na pasta da Guerra, e foi aclamado general-de-brigada (1890), passou a dirigir o Ministério de Instrução Pública, Correios e Telégrafos, no qual elaborou uma reforma de ensino de nítida orientação baseada nos ensinamentos de Auguste Comte, idealizador do positivismo: a ditadura republicana dos cientistas e a educação como prática anuladora das tensões sociais.
Por sua firmeza de opiniões e sem jamais abandonar seus ideais, depois de um desentendimento com o Marechal Deodoro, abandonou a política. Adoeceu e infelizmente morreu praticamente indigente pouco depois de completar 58 anos, em Jurujuba, Niterói. Seu féretro foi colocado sobre a mesa onde foram lavrados os primeiros atos do governo provisório. Serviram-lhe de manto fúnebre as bandeiras que suas filhas haviam bordado para as escolas militares, as primeiras bandeiras da república, onde já se lia as palavras Ordem e Progresso. Suas principais obras foram Memórias sobre a Teoria das Quantidades Negativas e Relatório sobre a Organização do ensino dos Cegos.

Fonte:
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/

OS NOMES DO INSTITUTO
Em 21 de novembro de 1889, o Decreto n° 09, baixado pelo Governo Provisório da recém-proclamada República, suprimia do nome do Instituto a palavra "Imperial". O Decreto n° 193, de 30 de janeiro de 1890, denominava-o Instituto Nacional dos Cegos. Finalmente, o Art. 2º do Decreto n° 1.320, de 24 de janeiro de 1891, deu-lhe o nome de Instituto Benjamin Constant, pelo qual ainda hoje é conhecido, numa justa homenagem a seu mais longo e profícuo administrador.
Outras Instituições surgem no país seguindo o modelo educacional do IBC:
v 1926 – Instituto São Rafael – Belo Horizonte.
v 1928 – Instituto Padre Chico – São Paulo.
v 1929 – Instituto de Cegos da Bahia.
v 1941 – Instituto Santa Luzia – Porto Alegre.
v 1943 – Instituto de Cegos do Ceará.
v 1957 – Instituto de Cegos Florisvaldo Vargas
Campo Grande – MS. 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Programa de Capacitação de Recursos Humanos do Ensino Fundamental: deficiência visual vol. 1, vol.2 e vol. 3. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2001.




02 - A VISÃO


Estrutura do globo ocular

Desenvolvimento visual
·        Visão do recém nascido
A criança ao nascer não percebe bem as cores, tem a visão bastante desfocada.
·        Visão do bebê com um mês de idade
A visão ainda permanece borrada, mas melhora um pouco o contraste.
·        Visão do bebê com dois meses de idade
Há um progresso maior, mas a visão ainda está desfocada e as cores e contraste ainda não são bem percebidos.

·        Visão do bebê com três meses de idade
Um sensível progresso, no conjunto todo: cores, contraste e nitidez.

·        Visão do bebê com seis meses de idade
A visão já está desenvolvida, bem próxima da visão de um adulto.


Maturação visual sensório-motora

O olho é um órgão que está intimamente ligado ao cérebro. A visão é um fenômeno complexo que necessita dos dois olhos íntegros e todas as vias ópticas e cerebrais saudáveis para que se possa enxergar e interpretar o que se está enxergando.

  Fonte: http://www.oftalmopediatria.com.br/texto.php?ct=3&ano=
“A maturação do sistema visual continua ocorrendo até o oitavo ou décimo ano de vida, aproximadamente, sendo que os cinco primeiros anos são os mais importantes.”

(Dra. Ligia Beatriz Bonotto – CRM 4602 – Oftalmopediatra)







03 - DEFICIÊNCIA VISUAL
PROFESSORA SILVIA ANTONIA - 2011

O QUE É DEFICIÊNCIA VISUAL?
A deficiência visual refere-se a uma situação de perda total da visão  ̶  denominada cegueira  ̶  ou a um quadro de baixa visão.
n  Cegueira: situação de ausência total de visão,  chegando, inclusive, à perda total de projeção de luz. O estudante cego necessita, para o seu desenvolvimento  educacional, de atendimentos específicos, tais como: domínio do Braille, sorobã, orientação e mobilidade, dentre outros;
n  Baixa visão: prejuízo da função visual mesmo após tratamento e/ou refração óptica. As condições de baixa visão são variáveis, bem como as necessidades educacionais especiais do estudante  com baixa visão, que variam de um para outro, de acordo com o grau de sua perda visual.

Anatomia do olho
O globo ocular está situado dentro de uma cavidade óssea e possui aproximadamente 24mm de diâmetro anteroposterior e 12mm de largura.
ANEXOS OCULARES
            As sobrancelhas, os cílios e as pálpebras são protetores do globo ocular. Impedem que partículas, como poeira, caiam dentro do olho. As pálpebras também têm como função a distribuição de lágrima, ocorrida durante o piscar.
n  A CONJUNTIVA é película vascular que recobre a esclera na porção visível, até a córnea. Também recobre a parte interna da pálpebras inferiores e superiores.
n  Os músculos: cada olho possui seis músculos que possibilitam sua movimentação para os lados. Quando os músculos funcionam, normalmente os dos olhos estão sempre mirando na mesma direção. Mas se a algum não funciona bem, ocorre o estrabismo ou vesguice.

n  APARELHO LACRIMAL: a glândula lacrimal fabrica a maior parte da lágrima que banha o olho. No canto interno da pálpebra(próximo ao nariz) existem um orifício e um canal que levam a lágrima já usada para o nariz. A lágrima serve para limpar, facilitar o ato de piscar e nutrir o olho.

ESTRUTURA DO GLOBO OCULAR
n  CÓRNEA: é uma membrana transparente, localizada na frente da íris.
n  A ÍRIS tem como funções permitir a entrada de raios de luz no olho e a formação de uma imagem nítida na retina. Seria como a lenta da máquina fotográfica. ÍRIS: disco colorido com um orifício centras ( chamado de PUPILA)- menina dos olhos). Sua função é controlar a quantidade de luz que entra no olho: ambiente com muita luz faz fechar a pupila; ambiente com pouca luz faz dilatar a pupila. Exerce a função idêntica ao diafragma de uma máquina fotográfica.
n  Se imaginássemos o olho como uma máquina fotográfica:
n  CRISTALINO: lente biconvexa, transparente, flexível ( capaz de modificar sua forma), localizada atrás da íris. Sua função é focar os raios de luz para um ponto certo na retina.
n  RETINA: camada nervosa, localizada na porção interna do olho, onde se encontram células fotoreceptoras            ( CONES, responsáveis pela visão central e pelas cores, e BASTONETES, responsáveis pela visão periférica e noturna). Sua função é transformar os estímulos luminosos em estímulos nervosos que são enviados para o cérebro pelo nervo óptico. No cérebro essa mensagem é traduzida em visão.
n  COROÍDE: é uma camada intermediária, rica em vasos que servem para a nutrição da retina. A região da retina, responsável pela visão central, chama-se MÁCULA, na qual se localizam os cones.
n  HUMOR VÍTREO: é uma substância viscosa e transparente, que preenche a porção entre o cristalino e a retina.
n  HUMOR AQUOSO: é um líquido transparente, que preenche o espaço entre a córnea e a íris. Sua principal função é a nutrição da córnea e do cristalino, além de regular a pressão interna do olho.
n  ESCLERA: é a parte branca do olho. Sua função é a proteção ocular.

O QUE É BAIXA VISÃO?
É a alteração da capacidade funcional da visão, decorrente de inúmeros fatores isolados ou associados tais como: baixa acuidade visual, alterações corticais e/ou sensibilidade a contrastes que interferem ou limitam o desempenho visual do indivíduo.
Algumas patologias que provocam deficiência visual (baixa visão):
1.     CATARATA
FONTE: www.cbv.med.br
É a diminuição da transparência do cristalino, lente transparente responsável pelo foco e nitidez da imagem. O aluno apresenta acuidade visual variável, diminuição da visão periférica, com visão dupla e perda de percepção de profundidade.
2.     ALBINISMO
Diminuição ou ausência de pigmentação na íris. O aluno apresenta fotofobia variável (forte reação à luz) – pisca ou fecha os olhos; ocorre movimento involuntário dos olhos, diminuição da acuidade visual e anomalias de refração (astigmatismo e miopia).
3.     CORIORRETINITE
 
É uma inflamação na retina, camada interna do olho, provocada por várias causas, por exemplo, a toxoplasmose, de origem congênita ou adquirida. O olho pode apresentar movimento involuntário em várias direções, com pontos cegos no campo visual e dificuldade para identificar objetos a distâncias variadas.
4.     RETINOPATIA DA PREMATURIDADE
Deficiência decorrente da imaturidade da retina, provocada pela baixa idade gestacional ao nascimento. Ocorrem diferentes graus de comprometimento, desde a baixa acuidade visual, alteração de campo visual até a cegueira.

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